29/03/2008 - 18:35 Autor: Redação JL
Criatividade dá vida a diferentes personagens; um jogo com livros
Você já ouviu falar em RPG? Se pensou em uma solução para problemas na coluna, então, esqueça. Não é aquele RPG indicado para dentistas e quem sente dores nas costas, e que é conhecido como Reeducação Postural Global. A sigla RPG, desta reportagem, quer dizer "role playing game".
Em português, a tradução fica jogo de encenação. Trata-se de uma mistura de jogo de fichas e dados com teatro, onde a criatividade dos participantes dá vida a diferentes tipos de personagens, os quais contracenam entre si em uma história que ninguém sabe o final. Isso até se chegar nele.
Nesse jogo é possível ser o que o jogador quiser. Vampiros, lobisomens, fadas, duendes, seres mitológicos, elementares e humanos. Enfim, as possibilidades são infinitas - tudo depende da imaginação dos participantes. Eles enfrentam lutas, missões e desafios para conquistar diferentes objetivos, como salvar o pai, a esposa, a filha e encontrar assassinos.
Cada jogador escolhe o seu personagem, atribui as características psicológicas e físicas e passa a fazer parte da história. Ao contrário do que muitos pensam, RPG não é uma seita. Também não leva os participantes a cometerem nenhum crime ou ato de loucura. As partidas - também chamadas de campanhas e aventuras - são um simples divertimento que ajuda até na desibinição dos jogadores.
Fábio Robson Diniz Souza, de 22 anos, joga há sete. Ele diz lutar contra o preconceito. A principal polêmica, em torno do RPG, é que os participantes assumem a identidade do personagem na vida real e acabam cometendo até homicídios. O jovem faz a defesa. "Uma pessoa capaz de matar um amigo, mataria em qualquer lugar."
Souza iniciou como simples jogador e hoje se tornou mestre. Por vontade própria e também em comum acordo com os participantes, um jogador pode se tornar mestre. Ele é quem conduz o destino dos demais e cria a história. E mais. Propõe os desafios e caminhos possíveis, além de autorizar os personagens e determinar quando será o fim da aventura.
O personagem de cada participante pode ser usado até sua aposentadoria ou morte. É isso mesmo. Até no RPG existe aposentadoria, mas sem recolhimento de taxas e impostos. A expressão aposentar o personagem é usada quando ele se torna muito forte e impossibilita a continuação do jogo. O participante, então, cria um novo personagem ou simplesmente abandona a aventura.
TIMIDEZ
Para desempenhar seu papel, a timidez precisa ficar de lado. Júlia Meirelles Ambrósio, 21 anos, era de poucas palavras. Há quatro anos, começou a jogar RPG e a timidez foi embora. Jully, como gosta de ser chamada, é loira, tem 1,62m e olhos verdes.
Quando joga, assume a identidade de Sâmia - uma menina de 17 anos, pele pálida, cabelos negros e olhos na cor lilás. "RPG para mim foi uma forma de fazer novos amigos, e perder um pouco a timidez, pois querendo ou não você tem que interagir com o grupo. É um jogo que une amigos e uma diversão muito saudável", diz.
Outra jogadora, Pâmela Jaqueline Barbosa, de 21 anos, é RPGista há cinco e afirma. "É como ler um bom livro. A diferença é que você está dentro dele e a história pode mudar de acordo com as atitudes do personagem que você interpreta."
Para jogar só é preciso livros e participantes. Há três tipos de livros: do mestre, de regras e os suplementos. Eles estabelecem regras, definem os poderes dos personagens e dão dicas ao mestre de como conduzir as histórias. O preço de cada exemplar varia de R$ 40 a R$ 200. O local para se iniciar uma aventura é relevante. Amigos reunidos e sentados no chão podem passar horas conduzindo seus personagens por um mundo de fantasia.


